Quais exames devem ser feitos para os manipuladores de alimentos da minha empresa?

Quais exames devem ser feitos para os manipuladores de alimentos da minha empresa?

A maioria das empresas do segmento de alimentos conhece, parcial ou totalmente, quais exames devem ser feitos para quem manipula os alimentos. Mas e na sua empresa, você sabe qual é  a obrigatoriedade de quem faz e serve o café, por exemplo?

Quem segue as nossas mídias sociais ou assinou a nossa newsletter, sabe que sempre falamos do risco de exposição de um funcionário no ambiente de trabalho, e em como pode ser desenvolvida uma doença relacionada ao trabalho pela exposição ao risco, que deve ser acompanhado pelo médico do trabalho da empresa.

Porém, quando falamos dos exames para manipuladores de alimentos, não podemos falar em monitoração clínica ou biológica para um risco específico, pois nesse caso quem receberá o alimento manipulado por alguém doente é que tem a possibilidade de adquirir e desenvolver uma doença, ou seja, o “risco” é para um terceiro e não para o funcionário que manipula os alimentos.

Quando explicamos sobre os programas de análise de riscos  (PPRA) e do programa de saúde da empresa (PCMSO), comentamos da necessidade do conhecimento do ambiente de trabalho e suas características para que seja desenvolvido um programa adequado, e que realmente previna de doenças e acidentes no ambiente de trabalho. Para isso, além da expertise do engenheiro e do médico do trabalho, há a necessidade que a empresa cliente cumpra o que foi determinado pelo médico no programa de saúde da empresa (PCMSO), o que inclui os exames clínicos e complementares determinados no programa de saúde exigido pela NR7.

Mas no caso dos manipuladores de alimentos, quem exige os exames complementares é a vigilância sanitária municipal e não a NR7, embora nada impeça que o médico do trabalho acrescente exames complementares no programa de saúde, o que achamos até proveitoso quando usado com critério e indicação clínica.

Então, cada Município determina quais exames devem ser feitos para quem manipula alimentos, sempre tentando prevenir as doenças, e por conseguinte, o médico do trabalho acaba por incluir tais exames complementares no rol de exames do programa de saúde da empresa (PCMSO).

Em São Paulo, por exemplo, é exigido a realização de uma amostra do exame de fezes e de uma amostra do exame de cultura de fezes para todos que manipulam alimentos. Sendo assim, o médico do trabalho deve incluir, pelo menos, o que foi determinado pela vigilância sanitária local.

Vale lembrar que os exames complementares devem seguir um ritual determinado por um, ou vários, protocolos médicos para cada necessidade. Por isso, a comunidade médica entendeu há muito tempo, que somente uma amostra do exame de fezes é insuficiente, determinando, portanto, que todos os exames fossem feitos em pelo menos três (03) amostras, para que tenham a eficácia mínima esperada. Desse modo, apenas uma amostra do exame de fezes não cumprirá com o que se espera do exame, e assim, entendemos que a exigência de amostra única é insuficiente, e não cumprirá com a tentativa do diagnóstico e tratamento das parasitoses intestinais.

Devemos ressaltar que a medicina trata de pessoas e não de exames complementares, e por isso, o exame clínico é e sempre será, o item mais importante e fidedigno de uma avaliação médica, e por esse fato, as Normas Regulamentadoras determinam que todos os funcionários sejam avaliados por um médico do trabalho, pelo menos uma vez ao ano. No caso dos manipuladores de alimentos, isso pode ser acrescido de duas consultas periódicas ao ano, o que será pensado e determinado pelo médico do trabalho da empresa.

Além disso, devemos enfatizar que cada exame complementar deve ter uma necessidade, ou seja, uma indicação clínica para sua realização, e só pode ser solicitado por um médico, fato que explica a necessidade da empresa de possuir um programa médico para seguir, que foi pensado e determinado por um médico do trabalho de forma individualizada. Do mesmo modo, o exame complementar deve ser analisado e interpretado por um médico, e somente por ele, o que mais uma vez explica a necessidade do médico do trabalho da empresa.  

Nesse post pudemos explicar que há uma determinação da Vigilância Sanitária de cada Município para a coleta de exames para os manipuladores de alimentos, mas que cabe ao médico do trabalho a solicitação e interpretação dos exames complementares (com ou sem acréscimo de exames), que devem estar atrelados aos exames clínicos, e que o tratamento das doenças diagnosticadas caberá ao médico do trabalho.

Pense sempre quanto custaria um surto de doenças causado por um manipulador de alimentos doente na sua empresa.

Gostou do nosso post? O que acha de assinar gratuitamente a nossa newsletter?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *